1o de Dezembro

Não é um resultado fácil de receber quando não se tem informação. Eu também não tinha. Mas quando me deparei com o carimbo REATOR no resultado do teste rápido um filme passou na minha cabeça. A primeira reação foi procurar o meu amigo @carlostufvesson para desabafar. Ele foi o cara que me deu as primeiras informações de como eu deveria proceder após o diagnóstico. Tive vontade de chorar na hora mas segui em frente. Sabia que a minha história não acabava ali. Através dele conheci a minha infectologista @cydiasouza. Neste momento percebi que a vida apresenta anjos. Ela foi a principal responsável por me dar toda a bagagem de informação necessária para eu não me abater diante de tanta ignorância.

Assumir o meu diagnóstico publicamente foi uma atitude de amor. Sempre quis poder ajudar pessoas mas não sabia como. Quando comecei assistir pessoas morrerem por não se cuidarem eu vi uma oportunidade ajudar o próximo compartilhando conhecimento. O preconceito ainda é o maior vilão das pessoas soropositivas. É por sentirem medo de serem colocadas de lado que elas não fazem o teste ou não se tratam. Mal sabem que a medicação atual não tem efeitos colaterais e todo paciente que faz o tratamento corretamente se torna INDETECTÁVEL, zerando o vírus e não transmitindo para outra pessoa, mesmo que venham ter relações sexuais desprotegidas.

Ser soropositivo me deu a chance de praticar o bem e corrigir outros defeitos que eu tinha. Hoje meu blog atinge milhares de pessoas e tenho um grupo de whatsapp que acolhe centenas de pacientes recém diagnosticados que não tem acesso a informação. Lá converso com adolescentes, mães, maridos, gays e transexuais de todos os cantos do nosso país e de fora também. E um trabalho voluntário e necessário onde mostramos que a vida não termina com o resultado positivo.

Hoje, 1o dezembro, o Dia Mundial de Combate à AIDS ou Dia Mundial de Luta Contra a Sida, é uma data voltada para que o mundo una forças para a conscientização sobre a Síndrome da imunodeficiência adquirida. E lembre-se: não existem grupos de risco. Existe situação de risco. Por isso faça o teste e compartilhe essa informação. Ela pode salvar vidas e combater o preconceito. ♥️

24a Parada LGBTI do Rio/Copacabana

Muitos que me acompanham sabem da meu trabalho em conjunto com o Grupo Arco-íris, organizadora da Parada LGBTI do Rio. Há quatro anos iniciei lá como produtor artístico voluntário e hoje atuo também como um dos captadores do evento. É muito gratificante poder realizar sonhos. Este ano realizei um encontro ousado: Pabllo Vittar e Lexa. Ainda não caiu a ficha. Foi um dia muito emocionante para todos os envolvidos. É óbvio que existe uma turma gigante que esteve ao meu lado e de mãos dadas para tudo acontecer. Meus maiores parceiros nessa vitória foram Flavio Saturnino, seus sócios e sua equipe do PopLine. Tem meus amigos Marco Salomão, Caian Rangel e Helio Lobato que estão comigo nessa vestindo a camisa há 3 anos. Preciso agradecer também ao Grupo Arco-íris que acredita na minha capacidade e acredita junto comigo.

Fazer o terceiro maior evento da cidade não é fácil. A organização não conta com patrocínio do prefeito e muito menos do governador. É muita luta.

Meu post tem como único objetivo mostrar para você que mesmo sendo HIV positivo eu não deixei as adversidades me abaterem. Hoje tento sempre me superar a cada ano. Exatamente como faço ao cuidar de mim e da minha saúde.

Com vocês a 24a Parada LGBTI do Rio em Copacabana, no último 22 de setembro de 2019.

A carga viral está acima de 40 cópias e você tem dúvidas? Vou te contar sobre PrEP injetável também.

No meu último exame de carga viral eu levei um susto ao receber o resultado com 62 cópias. Na hora pensei que o meu tratamento não estava mais fazendo efeito. Várias paranoias rondaram a minha mente. Ao perguntar para Dra Cydia o que poderia ter acontecido em 3 minutos ela tirou essa bobagem da minha cabeça.

No vídeo a seguir a gente fala sobre carga viral acima de 40 cópias, PrEP injetável e onde e como conseguir PrEP no Rio e em outras cidades.

Para saber onde encontrar PrEP na sua cidade clique aqui.

O grupo no whatsapp mudou de nome: VIVA +

Com mais de 100 integrantes de todos os cantos do Brasil o grupo VIVA + recebe pessoas recém diagnosticadas HIV positivo ou com dúvidas sobre a sorologia.

“Faz quase dois anos que eu tive essa ideia de criar o grupo. Por um bom tempo eu fiquei sozinho. Quando entrava um ou outrx desesperadx e sem chão eu acalmava x recém chegadx com as informações principais sobre como é viver indetectável. Aos poucos fui ganhando confiança e o número de pessoas foi crescendo. Hoje a galera da antiga dá assistência aos novatxs. O grupo cresceu e somos mais de cem, entre homens e mulheres. O mais legal é saber que uma atitude simples ajudou e ajuda muitos positivos a terem uma perspectiva de vida melhor e com mais informação para compartilhar com outras pessoas nas mesmas condições ou com seus familiares”.

É positivo e gostaria de conhecer a gente? Clique aqui!

#FikADica para o RESULTADO HIV/Aids

Bati um papo com o meu amigo Fabio Carvalho sobre a forma de abordagem que um profissional de saúde deve dar o resultado POSITIVO ou NEGATIVO para o paciente. Ambos tivemos experiências nada agradáveis ao recebermos os nossos resultados: eu reagente e ele não-reagente.

Assista agora na íntegra o nosso bate-papo.

2 anos depois…

Há dois anos iniciei meu tratamento com antirretrovirais. Dia 15/4 descobri ser portador do vírus HIV. Não sabia nada. 1 mês depois descobri que tinha Aids também. Meu CD4 era 190. Confesso que senti medo. Não sabia nada sobre a doença. Confiei todo meu tratamento à Dra @cydiasouza. Ela foi a responsável por tirar todas as minhas neuras. Confiante segui meu tratamento e corri atrás para me tornar indetectável e saudável. Foram seis meses de muita paciência para sair do diagnóstico Aids e me tornar indetectável. Hoje sou saudável. Sei exatamente como estou por dentro. Zero IST (infecções sexualmente transmissíveis). HIV existe na minha corrente sanguínea mas não em quantidade suficiente para me fazer mal ou contaminar outra pessoa, caso eu venha fazer sexo sem proteção. Não existe grupo de risco e sim situação de risco. Hoje temos PrEP, PeP e preservativos. Faça sexo sem proteção com a pessoa que você tem certeza ser negativo. Ainda existe muito preconceito conosco, soropositivos. A minha arma contra a intolerância é a informação. Por isso abri a minha vida. Para ajudar outras pessoas. E se você não sabe o seu resultado. Faça. O vírus só faz mal a gente se não cuidarmos. De resto é vida normal e aparência saudável.

Brasil registra queda de 16% no número de detecções de Aids

Ministério da Saúde fez balanço nesta terça-feira (27), véspera do Dia Mundial de Luta contra a Aids. Taxa de mortalidade também caiu nos últimos quatro anos.

Por Luiza Garonce e Tatiana Coelho, G1 

O Brasil registrou uma redução de 16% no número de detecções de Aids nos últimos seis anos, segundo o Boletim Epidemiológico divulgado nesta terça-feira (27) pelo Ministério da Saúde.

Em 2012, a taxa de detecção era de 21,7 casos por cada 100 mil habitantes e, em 2017, foram 18,3, uma queda de 15,7%. 

Ainda segundo o boletim, nos últimos quatro anos também houve queda de 16,5% na taxa de mortalidade pela síndrome passando de 5,7 mortes por 100 mil habitantes em 2014 para 4,8 óbitos em 2017.

Para o ministério, a ampliação do acesso à testagem e a redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento são razões para a queda. O diagnóstico precoce é importante para que a pessoa com o vírus HIV não desenvolva Aids e controle o vírus no organismo com os remédios disponíveis.

O boletim mostra ainda a diminuição da transmissão vertical do HIV, quando o bebê é infectado durante a gestação. A taxa de detecção de HIV em bebês reduziu em 43% entre 2007 e 2017, caindo de 3,5 casos para 2 por cada 100 mil habitantes. O aumento de testes realizados na Rede Cegonha contribuiu para a identificação de novos casos em gestantes. Em 2017, a taxa de detecção foi de 2,8 casos por 100 mil habitantes. 

Nos últimos 7 anos, houve ainda redução de 56% de infecções de HIV em crianças expostas ao vírus após 18 meses de acompanhamento. Os novos dados ainda mostram que 73% das novas infecções de HIV ocorrem no sexo masculino, sendo que 70% dos casos entre homens estão na faixa de 15 a 39 anos.

De 1980 a junho de 2018, o Brasil registrou 926.742 casos de Aids no Brasil, uma média de 40 mil novos casos por ano. O número anual de casos de Aids vem diminuindo desde 2013, quando atingiu 43.269 casos; em 2017 foram registrados 37.791 casos.

Leia a matéria na íntegra clicando aqui.