#MANIFESTO

Minha infância foi marcada por muita violência. Apanhei de alunos do ensino fundamental (antigo primário) na minha época de escola e era espancado pelos vizinhos da rua onde eu morava por ser uma criança afeminada.

“Vira homem, viadinho” era a frase predileta dos abusadores enquanto me batiam.

Depois, um pouco mais velho, vieram os abusos sexuais praticados por homens adultos. Foi nojento.

Quem é viado, sapatão, bissexual, travesti, trans e intersex conhece a dificuldade que é ter nascido “diferente”.

Preconceito e/ou abuso sexual é ou foi rotina na vida de umx criança/adolescente/adulto como eu, Lea T, Cassia Eller, Roberta Close, Vera Verão, Thammy Gretchen e tantxs outrxs companheirxs de caminhada que não sentem atração pelo sexo oposto ou não se identificam com o seu ou sua genitalia.

Por mais que algumas pessoas ou religiões insistam em afirmar mentiras como verdade, eu vou te contar uma a minha realidade: eu não nasci podendo escolher gostar de homem ou de mulher. Esse é o absurdo mais louco que eu já ouvi em toda a minha vida. Eu sou a prova cabal que isso não existe.

E tem mais: Se sobrar no planeta eu e uma mulher pra darmos continuidade à humanidade a Terra vai dar game over. Pode acreditar!

O Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos a lgbti.

Crimes como o de Matheusa Passarelli atualiza essa triste estatística que não para de crescer.

A cada 25 horas uma pessoa é assassinada no país por conta da sua orientação sexual ou identidade de gênero.

E você, heteronormativx, continuara fingindo que a gente não existe?

Se liga!

Desde fevereiro já passaram pela minha TL do Facebook 3 óbitos de pessoas que optaram por não tratar o HIV. Mesmo com o tratamento moderno, sem efeitos colaterais e gratuito os soropositivos se recusam a tomar os atirretrovirais ou fazer o teste pra saber se são positivos. Entregam a saúde à própria sorte. Simplesmente ignoram.

Medo ou falta de informação sobre a doença?

Hoje leio muito sobre os avanços na medicação e não vejo nada demais na minha sorologia. Não é nenhum bicho de sete cabeças. Claro que não queria ter o vírus. Odeio lembrar diariamente que tenho que tomar o remédio porque tenho péssima memória. Sempre acho que vou esquecer.

Infectar-se com o vírus pode acontecer com qualquer um

de nós. Se você é sexualmente ativo faça o teste regularmente. Adoecer e morrer de bobeira é a maior bobagem que alguém pode fazer contra si mesmo se não se cuidar.

Olhe pra mim: Indetectável (intransmissível), saudável e principalmente não me importando com o preconceito.

Preferi usar a minha condição para divulgar, informar e dividir o meu conhecimento com quem ignora ou quer saber mais sobre o assunto.

*Em breve o link da matéria.