Arquivo Pessoal #1

“Afirma-se constantemente que a realidade é mutável, dinâmica, por ser assim deveria ser normal mudarmos de ideia sobre ela. Porém, mudar de ideia mexe com orgulhos, exige humildade e nem sempre é ato bem visto”.

Aos 39 anos de idade coleciono pelo menos quatro relacionamentos falidos. O primeiro acabou por incompatibilidade na cama. O segundo foi por não concordamos um com o outro. O terceiro era um relacionamento abusivo. Muitas vezes caímos na porrada em público, em casa, em qualquer lugar. Foi o mais sofrido de todos. O quarto é mais recente, não teve um motivo aparente. Simplesmente não deu certo. Em todos eles desprendi uma energia enorme. Terminar um namoro pra mim não é tarefa fácil. É uma merda! Odeio fracassar. Difícil encarar outra realidade. Ter conhecido o meu atual namorado me obrigou a “sair da casinha”. Ele é estrangeiro, tem outra cultura e amor e sexo ao seu ver podem andar juntos ou separados. Conheço e sei que existem casais que não trepam mais faz anos. Alguns fingem que são felizes. Ninguém quer perder a pose. Talvez ele tenha tentado me dizer sobre “open relationship” mas não encontrou oportunidade. Eu sou ariano. Tenho um gênio do cão. Quando tenho certeza que estou certo ninguém me segura.

Mudei de ideia.

Ontem, véspera do Natal, foi dia de conversar. Passar a virada do dia 24 pro 25/12 e Reveillon já estava nos nossos planos desde março deste ano. Mesmo terminado o namoro a amizade não precisava acabar. Sempre fomos muito parceiros, amigos. Esse era o maior motivo para não quebrar o combinado. No meio do jantar – eu que fiz! – falamos sobre o nosso sexo. Ele reclamou que estava morno, não tinha novidade. Classificou como: “sexo dos anjos”. Até agora estou tentando decifrar o que ele disse ao pé da letra. Amor é óbvio que existe. Não se acaba de uma hora para outra. A gente faz uma boa dupla. Nos divertimos sempre.

– O que fazer então?

A gente sabia uma coisa: encontrar alguém bacana hoje em dia é difícil. É loteria achar alguém legal.

– Valeria a pena terminar?

Não sei ainda como será a nova dinâmica do casal. Estamos começando a criar regras.

– Se eu estou feliz com essa nova configuração?

Depois que eu parei de beber minha vida social morreu. Não tenho mais noitada. É academia, trabalho e casa. Não necessariamente nessa ordem.

– Se o meu namorado é legal?

Ele tem os olhos mais lindos que eu já tenha vi, azuis da cor do mar. Quando ele sorri pra mim é a coisa mais linda. Ele sabe usar bem as armas de sedução.

Novo status:

Casais fora do convencional driblam o ciúme e adotam o relacionamento aberto

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